quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Lista de possíveis temas para posts do mês passado


Setembro passou voando, já estamos na metade de outubro e eu abandonei um pouco este blog. Entre fazer estágio e pesquisar para meu trabalho de conclusão de curso, sobrou pouco tempo e energia para outras coisas. Mas não deixei de ter várias idéias de assuntos sobre os quais eu poderia escrever. Para não desperdiçá-las, vou publicar uma lista dos possíveis temas para post do mês passado:

- Pessoas famosas que achei ter visto ao longo da minha vida: motivado por eu ter achado que vi o Maurício de Souza no Espaço Unibanco. Tenho vários exemplos. Já achei que vi o Paulo Autran também no Espaço Unibanco, o Maluf saindo da catraca do metrô Consolação, o Fábio Assunção sentado na escada de uma concessionária nos Jardins.

- O estranho efeito de uma tarde de chuva seguida por uma noite fresca de céu estrelado na população de São Paulo: o que aconteceu foi que as pessoas ficaram eufóricas e saíram de casa falando sozinhas, cantando músicas esquisitas e andando de bicicleta de um jeito perigoso na Paulista.

- Meu dia com a Polícia Federal: vocês não imaginam o quanto eles foram gentis e cativantes enquanto colhiam documentos suspeitos do lugar onde faço estágio (e não estou sendo irônica).

- A última sessão com minha psicóloga: talvez eu sinta falta do casal de velhinhos que eu sempre via pela janela no caminho para o consultório. Eles sempre liam o jornal àquela hora da manhã, um em cada sofá, um de frente para o outro. Não sei se vou vê-los novamente. Talvez quando eu for buscar meu dicionário russo-português que ficou com a psico (é uma longa história).).


Espero conseguir voltar a postar regularmente aqui, mesmo estando na reta final para entrega do trabalho de conclusão na faculdade. Isso me apavora um pouco, mas tento agir naturalmente.


Sonhos: Dave McKean fez uma capa de Sendman especialmente para o meu sonho de ontem à noite. Ela mostrava duas ilustrações diferentes se você olhasse a revista na vertical e na horizontal.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

"Gosta de teatro?"


Todos os dias sou assediada na rua por pessoas pedindo doações para ONGs ambientais, querendo vender poesias ou ingressos para teatro, exigindo minha atenção para apresentar projetos sociais e cobrando “uma colaboração, uma ajuda, uma quantia simbólica.”

O problema é a abordagem extremamente invasiva e até hostil que algumas dessas pessoas usam para chamar a atenção dos transeuntes e fazer com que eles se sintam culpados e mesquinhos caso resolvam não “contribuir”.

“Você gosta de teatro?”. O desavisado responde ingenuamente que sim, que gosta de teatro. É o suficiente para que o homem que fez a pergunta tome 15 minutos do tempo do transeunte para descrever todas as inúmeras vantagens da assinatura de um plano mensal que dá direito ao ingresso de todas as peças de teatro do mundo. Não adianta alegar falta de dinheiro ou falta de tempo de ir ao teatro. Não se esqueça de que ele já tinha dito que gostava de teatro, tsc tsc tsc.

Não há meio de sair com dignidade dessa situação. Ou o sujeito compra o plano que está sendo oferecido e sai com cara de idiota porque sabe que não vai conseguir fazer ele valer a pena a não ser que largue o emprego para ver uma média de três peças por dia, ou o sujeito recusa a oferta e o Você-gosta-de-teatro? faz ele se sentir um lixo aculturado egoísta.

Tem um rapaz que está freqüentemente no meu caminho quando volto do trabalho, às vezes com o rosto pintado de palhaço, que apresenta uns guias culturais que ele propõe “dar” para as pessoas em troca da famigerada “contribuição”, não sem antes explicar todos os motivos pelos quais se deve ter dó dele. Ele sempre me aborda com “Olá, menina linda!” e, quando digo que não posso contribuir, resmunga impropérios em voz baixa.

Ah, e tem também o “Você gosta de poesia?”. Quando me mudei para São Paulo, um deles me deu uma folha sulfite com um poema impresso. Eu agradeci a gentileza e continuei andando com o papel na mão – juro que não entendi que ele também estava atrás de uma contribuição. Quando ele me chamou de volta e me informou sobre suas intenções, devolvi o papel e me desculpei por não ter nenhum trocado.

A gente ainda tem que se desculpar e se justificar por não ter dinheiro sobrando. Se essas pessoas precisam ganhar dinheiro, por que não vendem alguma coisa de que as pessoas realmente precisam? Por que não montam uma banca de café-da-manhã? As que eu encontro no meu caminho sempre estão lotadas sem que o responsável por ela precise apelar para a piedade das pessoas que passam na rua.

Esses apeladores já têm mentalidade capitalista quando pedem dinheiro em troca de qualquer coisa que ofereçam. Então por que não levar a lógica do capitalismo até o fim e oferecer um produto para o qual haja demanda?

É claro que isso não se aplica às ONGs e projetos sociais. Esses são chatos pela insistência e por questionar sua falta de dinheiro como se fosse um crime quando você não colabora.

sábado, 6 de setembro de 2008

Aula de francês


Na minha segunda aula de francês do semestre, cheguei superatrasada. Já tinham grupos formados que deveriam discutir alguns temas propostos pela professora. Sentei com o grupo que tinha ficado com o tema “a televisão deixa as pessoas burras”, ou algo assim. Como todos pareciam concordar com a afirmação, eu me propus a defender a televisão. Achei que assim estaria cumprindo meu papel de única estudante de jornalismo do grupo.

Não estava conseguindo raciocinar direito depois de passar os últimos 40 minutos dentro de um ônibus lotado que peguei depois de oito horas de trabalho na assessoria de imprensa de uma universidade cujo reitor tinha acabado de renunciar no dia anterior por causa de denúncias de gastos ilícitos no cartão corporativo.

Mas, vamos lá, vamos defender o potencial sócio-educativo da televisão, vamos defender que pode existir um jornalismo de qualidade na televisão brasileira, vamos provar que a televisão, apesar dos seus defeitos, pode ser um instrumento que unifica a nação e que isso é uma coisa boa.

E quando tudo o que eu falava era recebido com ceticismo pelo grupo, o estudante do primeiro ano de história começa a descrever a única televisão que presta no mundo, que é a da Suíça, onde a “população escolhe a programação a que quer assistir”. Muito democrático. E o melhor de tudo é que tem tudo a ver com a realidade brasileira. Vamos sugerir para o Sílvio Santos.

Então eu me pego defendendo que a televisão é uma fonte de entretenimento válida para muita gente. As novelas, por exemplo: não é porque somos universitários esnobes e inteligentes demais para acompanhar a novela que vamos negar que ela traz à tona assuntos de importância social sobre os quais algumas pessoas não parariam para refletir de outra forma.

Eu, que nem vejo TV direito, comecei a me exaltar em sua defesa enquanto o resto do grupo insistia em ignorar sua relevância para o povão. E o estudante de psicologia assistia a tudo em silêncio com uma expressão de triunfo esquisita no rosto, como quem nomeia mentalmente os complexos dos outros. Da próxima vez, faço grupo com os meninos da Poli.

O tema jornalismo, pelo jeito, vai ser recorrente durante o semestre do francês e em todos esses mini-debates vão esperar que eu tenha alguma coisa a mais para falar só porque faço jornalismo.
Por fim, quando a aula estava um saco e todas as minhas articulações doíam mais do que o normal (porque tinha feito aula de body combat no dia anterior), um morcego entrou e saiu da sala de aula duas vezes e aquilo foi a única coisa engraçada que aconteceu naquelas duas horas e meia.

domingo, 31 de agosto de 2008

Shuffle

Tenho o péssimo hábito de ouvir sempre as mesmas músicas. Das mais de mil tenho armazenadas no meu computador, devo ouvir com freqüência no máximo umas cem. Não posso definir esse comportamento de outra forma que não como pura preguiça de ouvir coisas novas. Aí enjôo de tudo e passo um tempo no silêncio. Às vezes faz bem.

Agora decidi que vou variar mais a minha playlist. O primeiro passo foi zerar meu mp3 player, enchê-lo com novas músicas e usar o modo shuffle. Engraçado, não sinto muita falta dos cds. Eles são caros, ocupam espaço e sempre estão em caixinhas trocadas. Além do mais, você pode baixá-los inteiros da internet, ver as letras e tudo mais.

Atualmente tenho no meu mp3: Aimee Mann (o último cd @#%&*! Smilers), Keren Ann, Charlotte Gainsbourg, Lilly Allen, Radiohead, The Cardigans, Vive la Fête (acho que baixei junto umas músicas folclóricas francesas reunidas num disco chamado Vive la Fête), a trilha sonora de Juno e de Before Sunset / Before Sunrise.

Não, eu não tenho um i-pod de 80 gigas e nem sei o que faria com tanto espaço. Nem incluindo toda a discografia das principais bandas do movimento punk islandês dos anos 70. Aliás uma vez li um livro do Fábio Massari que falava sobre uma viagem que ele fez para a Islândia unicamente para investigar a música do país. Estranho ler coisas tão específicas sobre músicas que nunca escutei. Não consegui baixar mais de duas músicas de bandas citadas no livro. Alguns nomes não apareciam nem no google (ok, devo estar exagerando).

É como o protagonista de Em busca do tempo perdido, que amava o teatro e dedicava todas as conversas com os colegas à discussão de qual seriam os melhores atores da época. Ele tinha na ponta da língua os nomes dos cinco melhores atores em sua opinião de quem nunca tinha ido a uma peça de teatro:

Naquela época eu tinha o amor do teatro, amor platônico, pois meus pais ainda não me haviam deixado ir, e imaginava de modo tão pouco exato os prazeres que lá se experimentavam que não estava longe de crer que cada espectador olhava, como por um estereoscópio, um cenário que era unicamente para ele,embora igual aos outros mil que se ofereciam, uma cada qual, ao resto dos espectadores.

Mas, voltando à música, fica a questão: o que ouvir? Tenho sempre uma ansiedade por conhecer todas essas bandas novas de quem os críticos de música pop falam. Mas não dá pra escutar tudo e muitas delas fazem exatamente o que as outras estão fazendo. Acho que estou sempre em busca de uma música que me faça chegar em outro lugar, que não sirva somente como fonte de distração enquanto limpo a casa ou abro o e-mail (embora esse tipo de música também seja importante), mas que demande atenção exclusiva e que confira certa grandeza àquele momento. Ultimamente, tem sido difícil achar essa qualidade nas músicas que surgem. Ou talvez eu esteja pouco receptiva a elas no momento.


* Este post foi escrito ao som de: Aimee Mann – 31 Today

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Subtítulos


Depois de falar mal das traduções de nomes de filmes, me sinto no dever de chamar a atenção das pessoas para os subtítulos dos filmes – sejam eles da versão original ou exclusivos da versão brasileira.

Um deles me trouxe problemas na última vez que fui alugar um filme. Com a intenção de alugar Hannibal, aluguei Hannibal – a origem do mal. Não foi minha culpa, o subtítulo estava escrito em letras minúsculas e eu só fui perceber o equívoco quando o filme tinha terminado. Ele está, sem medo de errar, entre os dez piores filmes que eu já vi em toda a minha vida. Vale a pena assistir só para dar valor aos outros filmes.

Tenho que reconhecer que às vezes escolhem um subtítulo estiloso, que dá até um charme, tipo Alien – O oitavo passageiro. Mas outros são de doer. Geralmente tentam explicar ou mostrar alguma coisa a mais sobre o filme, mas, na maioria das vezes, eles acabam sendo óbvios demais ou não combinam em nada com a proposta.

Pulp Fiction – Tempo de violência. Pulp Fiction era o título perfeito! Aí acrescentaram Tempo de violência, que é sério demais para um filme que não se leva a sério; chega a ser um pouco moralista.

2046 – Os segredos do amor. Vocês já viram esse filme? Se eu fosse responsável pelo lançamento no Brasil, não me arriscaria a acrescentar nada ao título, simplesmente porque não entendi a história direito. Esse subtítulo pode levar algum romântico desavisado ao cinema. Pensando bem, talvez seja exatamente essa a intenção.

Eurotrip – Passaporte para a confusão. Parece nome de filme da sessão da tarde
, mas essa é uma das melhores comédias teen que eu já vi. O hit Scotty doesn’t know virou um clássico.

Spellbound – Quando fala o coração. Pensando bem, 80% dos filmes poderiam ter esse subtítulo. Titanic – Quando fala o coração, O Guarda-costas – Quando fala o coração, Star Wars – Quando fala o coração, Rocky Balboa – Quando fala o coração... Mas não se deixe enganar: Spellbound é um filme do Hitchcock de 1945 que, apesar de não ser muito comentado, é um dos meus preferidos. Ele tem uma seqüência de sonho idealizada por ninguém menos que Salvador Dali.

Alguns subtítulos bregas entram em perfeita harmonia com o filme. É o caso de Ghost – Do outro lado da vida e Moulin Rouge – Amor em vermelho. Portanto, não tenho nada a dizer a respeito deles.

Porcos e diamantes são dois substantivos bem improváveis de se usar na mesma frase, mas até que ficou legal como subtítulo de Snatch – Porcos e diamantes. Outros exemplos de subtítulos desnecessários: Trainspotting – Sem limites, Seven – Os sete crimes capitais e Closer – Perto demais.

Ainda sobre traduções
Philip Roth, escritor estadunidense, declarou em entrevista para a Folha de S.Paulo ser admirador de Machado de Assis e, principalmente, de Memórias Póstumas de Brás Cubas que foi lançado lá como Epitaph of a small winner (ou seja, “epitáfio para um pequeno vencedor”). Sobre a tradução do título, ele declara: “Eu não sei de onde vem isso, mas é idiota, deve ser um nome de puro marketing”. Só para lembrar que existem traduções ruins em todo lugar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

3x4


É horrível, mas, de vez em quando, todo mundo precisa tirar fotos 3x4. E elas ficam cada vez piores... Na minha modesta opinião, o surgimento da fotografia digital permitiu que pessoas sem a mínima qualificação oferecessem serviços desse tipo, fotografando em estabelecimentos que não tem nem mesmo uma iluminação adequada.

Mas não tem problema. Agora, o photoshop resolve tudo. Hoje fui tirar as temidas 3x4 e, ao ver o resultado no computador, perguntei (brincando!) se o rapaz que me atendeu não poderia apagar as minhas espinhas. Ao que ele respondeu – “Pois não” – e começou a fazer o serviço sujo no photoshop.

Não sabia que esse procedimento era assim tão corriqueiro. Se até a minha reles 3x4 recebeu esse tratamento, imagine as barbaridades que eles fazem nas revistas! De alguma maneira, sinto que as minhas fotos 3x4 nunca mais serão as mesmas. Ou será que esse processo é reversível?

* Na foto, uma amostra da minha coleção de fotos 3x4



quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Lynch vem a São Paulo


Semana passada o David Lynch esteve em São Paulo para promover o lançamento de seu livro sobre a importância da meditação em sua vida. Falando assim, ele fica parecendo mais um oportunista que escreve um livro de auto-ajuda qualquer só para ganhar dinheiro em cima de pessoas inseguras. Mas, apesar de não ter lido o livro, acho que não é o caso: é o David Lynch.

Fiquei muito decepcionada quando descobri que não poderia conhecê-lo pessoalmente, já que ele esteve na Livraria Cultura bem no meio da tarde, horário em que estava trabalhando. Mas resolvi fazer uma homenagem mental a ele, recapitulando todos os seus filmes a que já assisti. E, para a minha surpresa, só assisti a três deles: Veludo azul, Cidade dos sonhos e Twin Peaks – Os últimos dias de Laura Palmer, nesta ordem exatamente.

Os dois primeiros me marcaram bastante, acho que é por isso que tinha a impressão de conhecer toda a filmografia de David Lynch. Cidade dos sonhos eu vi na faculdade, na disciplina de Lógica (ironicamente). Não entendi nada da história a princípio... Mesmo assim, o filme me prendeu do começo ao fim. É um daqueles filmes em que você não tem idéia do que vem em seguida e que, quando termina, você fica perplexo por alguns minutos vendo os créditos subirem sem saber muito bem o que fazer. E, dias depois, você ainda se pega pensando nele, tentando decifrar o que significou aquilo tudo.

Veludo azul não é menos intrigante. Numa das primeiras cenas, o protagonista encontra uma orelha humana no chão de um terreno baldio por onde passa para cortar caminho. A partir daí ele se envolve numa investigação que vai levá-lo a presenciar situações bizarras e inimagináveis.

Devo aproveitar o assunto David Lynch para falar sobre um assunto que sempre me incomodou bastante: traduções de nomes de filmes. Observe os nomes, em português, de dois grandes filmes do diretor: Cidade dos sonhos e Império dos sonhos (os originais são, respectivamente, Mulholand Dr. e Inland Empire). Aposto que o David não ficou sabendo dessa calamidade. No caso de Cidade dos sonhos, o “sonho” do título adianta ao expectador um aspecto do filme que deveria ser conhecido apenas no decorrer da história, ou seja, o próprio título é um spoiler.

Semana passada, assisti a Medos privados em lugares públicos, cujo título no original em francês é Coeurs. Quem são essas pessoas que tem o direito de usar toda a criatividade para traduzir esses nomes sem a mínima consideração pelo título original nem pelo enredo do filme?

Mais um caso emblemático. O filme Asas do desejo, do Wim Wenders, no original é Der Himmel über Berlin (que significa “o céu sobre Berlim”). Depois, Wim Wender fez um filme chamado Lisbon Story, que foi traduzido como – adivinhem! – O céu de Lisboa, acho que pra compensar o outro céu que eles não tinham mencionado.

E eu poderia continuar citando títulos mal traduzidos, exemplos não faltam... Deixo aqui meu pequeno protesto.