segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Foo Fighters

Atendendo aos pedidos dos nossos leitores vou contar sobre o show do Foo Fighters, que já aconteceu faz algum tempo, mas eu acabei esquecendo de falar sobre ele!

Devo começar dizendo que não foi o meu primeiro show do Foo Fighters. Eu já tinha assistido ao show que eles fizeram no Rock in Rio III, em 2001, confortavelmente sentada no sofá da minha casa. Na época, meu CD “The colour and the shape” andava esquecido em alguma gaveta, mas quando eles começaram a se apresentar, não pude deixar de me empolgar com cada música e me emocionar quando eles tocaram Everlong. Eles são muito carismáticos e o Dave Grohl é uma figura e faz todo mundo rir entre uma música e outra.

O show que eles fizeram aqui foi no Amway Arena, onde também acontecem os jogos da NBA. O lugar é enorme, cabem 18.000 pessoas. Quem abriu o show foi uma banda de cujo nome não me lembro agora, mas que era parecida demais com uma banda emo para valer a pena.

Quando finalmente o Foo Fighters entrou no palco, eles levantaram o estádio inteiro. Mesmo assim, percebi uma grande diferença entre o público daqui e o público brasileiro. No Brasil, as pessoas interagem mais com a banda, cantam mais, pulam mais.

Confesso que não conhecia a maioria das músicas, o que não me impediu de curtir o show. Apesar de estarmos no pior lugar do estádio, ele não era tão ruim. No meio do show, a banda inteira veio para um mini-palco bem na nossa frente e tocaram umas 5 músicas lá.

Não tenho fotos do show porque na entrada barraram minha câmera. Tivemos que pedir para deixá-la num hotel na frente do estádio, depois que a funcionária do estádio sugeriu que a deixássemos em algum arbusto nos arredores.

Notícias de hoje: no meu dia de folga, vou num shopping ver se a Victoria’s Secret continua em liquidação. À noite, minha programação ainda não está definida. Esta semana, a Bruna vai embora e vamos nos transferir para outro quarto no hotel. Hoje fiz minhas reservas num albergue de NY!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

The most unique


Falando em coisas kitsch, acho que nunca descrevi a decoração do lugar onde eu trabalho. Vamos por partes. O edifício é constituído por dois blocos – um de dois andares e um térreo. Do lado de fora, o visitante pode ver uma batata frita gigante com contornos de neon na parede do bloco de dois andares. Esse bloco abriga o auto-proclamado “largest Mc Donald’s playplace in the world”. Do lado de fora do bloco térreo, o visitante pode apreciar um mural com desenhos dos personagens do imaginário McDonald’s onde também se pode ler o anúncio: “the most unique Mc Donald’s in the world”. Na escada de emergência, fica uma estátua do Ronald McDonald eternamente acenando em direção à Sand Lake Rd.

Com uma fachada dessas, o interior promete. Logo ao entrar, o visitante se depara com uma seção anos 50, onde se pode encontrar um JukeBox e duas paredes abarrotadas de ícones dessa época. O Jukebox funciona e, o melhor, de graça. Essa parte seria até bem charmosa se não fossem umas luzes piscando, que até pouco tempo atrás eu achava que fizessem parte da decoração de natal. E, é claro, se ela tivesse alguma coisa a ver com o resto do lugar. Também no bloco térreo fica o balcão de pedidos, que é bem parecido com o de qualquer outro Mc.

O bloco de dois andares é um primor. Ele quer ser meio jungle, com folhagens e estampas de zebra. Um aquário gigante ocupa o espaço central e, no fundo, tem algo cujo sentido eu nunca consegui decifrar: um homem que tem uma cabeça em forma de uma meia lua usando óculos escuros sentado ao piano. Tanto esse lugar quanto o andar de cima são abarrotados de jogos. Subindo as escadas, o visitante pode tirar uma foto ao lado do Ronald McDonald sorridente sentado no banco de madeira.

O que me faz lembrar que há várias semanas, todos falavam que se aproximava o dia da visita do Ronald McDonald nessa loja. Eu não entendia por que aquilo era tão importante, já que os outros personagens do imaginário McDonald’s sempre aparecem por lá e quem veste suas fantasias são os próprios funcionários da cozinha (esses personagens incluem um tipo de um prisioneiro mascarado e uma massa amorfa roxa). Enfim, eu achava que qualquer um podia se vestir de Ronald, mas o que eu descobri é que, desde o começo, só existe um único Ronald. E era esse o motivo de tanto alarde: ele só faz essa visita uma vez por ano.

Notícias de hoje: fui ao Universal Studios. Nos últimos dias, além de trabalhar, tenho me dedicado a andar em todas as montanhas russas da Flórida, por isso a demora em postar neste blog.

Sonhos: mais uma vez eu sonhei que a minha lente de contato era gigante. Dessa vez eu estava numa floresta escura quando ela pulou para fora e adquiriu seu tamanho fora do comum. Eu resolvi colocar ela de volta mesmo assim e deu tudo certo no final. Outro dia, aliás, eu dormi de lente. Quando acordei, só estava com uma. A outra achei embaixo do meu travesseiro quando voltei do trabalho. Deixei ela no soro por dois dias e agora ela está melhor do que nunca.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Dias de turista 2


Orlando é uma cidade inteira voltada para o turismo. Quando andamos pela rua durante o dia, somos abordadas por pessoas vendendo ingressos da Disney, ingressos de mini-golfs, ingressos para ver um jacaré sendo alimentado ao vivo, entre outras atrações. Mas os turistas vêm mesmo para conhecer a Disney. Apesar disso, a cidade já era turística bem antes do senhor Walt resolver transferir o rato da Califórnia para cá.

O que aconteceu é que a chegada da Disney esmagou quase todos os outros parques temáticos e resorts que antes atraíam os turistas para Orlando e arredores. Alguns poucos sobreviveram e, para isso, tiveram que se adaptar aos novos padrões de qualidade adotados pela Disney (existe até um verbo para isso: to disneyfy). A Disney fez a cidade crescer: o número de turistas aumentou, assim como o número de habitantes. O crime também cresceu e a tranquilidade da população diminuiu consideravelmente desde então.

Mesmo tendo consciência de que a economia da cidade gira em torno da Disney, ela não está tão presente no cotidiano de quem trabalha aqui. Poucas vezes eu ouvi pessoas daqui falando sobre a Disney. Ela só aparece nas conversas quando algum estudante brasileiro pergunta, inconformado, por que diabos tantas pessoas se submetem ao cardápio horrível que o McDonald’s oferece às 8h da manhã e alguém responde, sem prestar muita atenção no que está dizendo, que são os turistas que passam para tomar o café da manhã antes de irem para os parques.

Enfim, ontem eu fui para a Disney! Visitei dois parques: o Epcot e o Magic Kingdom. O ingresso para cada parque custa 75 dólares, mas, procurando o suficiente, dá para descobrir esquemas que lançam você nos braços do Mickey Mouse por bem menos. A maioria dos esquemas tem a ver com pessoas que trabalham lá e ganham ingressos semanalmente. Eu e meus amigos soubemos que um dos funcionários do Mc trabalhava também na Disney e podia nos levar por 50 dólares cada, para ver quantos parques quiséssemos em um dia.

Esse funcionário, o Will, é provavelmente a última pessoa na face da terra que escuta Michael Jackson no último volume dentro do carro. Mas a gente acabou sobrevivendo o caminho inteiro e chegamos no Epcot com a audição quase intacta. O passeio só não foi mais divertido por causa da chuva que nos acompanhou o dia inteiro... Sim, a Disney é muito divertida e o Mickey derrete o coração de qualquer um. O dia terminou com uma torta de maçã e com a queima de fogos em cima do castelo da Cinderela.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Dias de turista


Cansada desta minha vida proletária, resolvi fazer alguns programas típicos de turista na semana passada. Devidamente orientada por um guia da Flórida que pedi pela internet, saí do hotel na quarta-feira de manhã disposta a andar bastante e tirar fotos. Comprei um day pass para poder andar o dia inteiro de ônibus por quatro dólares e segui em direção ao centro da cidade.

Antes de chegar ao centro em si, tive que passar no escritório da Oerther Foods – a empresa que é dona dos McDonald’s da cidade – para pegar o meu pagamento que misteriosamente foi parar lá. Tive que andar umas cinco quadras gigantes de uma rua chamada Orange Blossom (no estado da laranja, grande parte dos nomes de lugares tem a ver com “orange”). Como eu já disse uma vez, Orlando não é a melhor cidade para se andar à pé. Algumas ruas simplesmente não tem calçada e os motoristas passam olhando como se você fosse uma aberração. Então o percurso foi relativamente solitário, apesar do tráfego pesado de caminhões da rua.

O que eu já tinha reparado da outra vez que fiz esse caminho é que lá tem vários estabelecimentos que se intitulam “gentlemen’s clubs”. Dentre eles, o que mais me intrigou foi um que se chamava Baby Doll Gentlemen’s Club: a placa em frente dizia “10 hot chicks and 1 ugly one” (???). Da próxima vez que passar lá à pé, tiro uma foto!

Enfim, depois do paycheck eu peguei o outro ônibus para downtown. Da estação até o Park Eola fui de Lymmo – é o nome do ônibus de graça que sai de 5 em 5 minutos e passa em quase todos os lugares do centro da cidade (não, não é uma limo). O lago Eola é um dos cartões postais de Orlando – é realmente bonito, com uma fonte enorme no meio e muitos patos, esquilos e cisnes que andam por lá como se fossem pedestres – pela calçada. Em volta do lago tem uma pista de caminhada, um anfiteatro e alguns cafés. É claro que o tamanho do parque nem se compara ao Ibirapuera, mas ele tem seu charme próprio.

No dia seguinte voltei para downtown para ir ao museu da cidade, dessa vez acompanhada pela Rubi, uma das minhas roomates. Lá tem uma seção sobre a história da Flórida bem instrutiva, ao que parece – a laranja, a pecuária, o clima, os lagos, os negros, os nativos, a disney, os meios de transporte... Tinha também uma exposição sobre brinquedos do século XX muito divertida! A gente se divertiu horrores tirando fotos num tribunal que foi desativado em 1999 – igualzinho esses que aparecem nos filmes. Além, é claro, de coisas kitsch como “o maior ioiô do mundo”. Aliás, eles adoram essas coisas por aqui: a maior gift shop do mundo, o maior McDonald’s do mundo (é como se auto-intitula o lugar onde eu trabalho), o maior pneu do mundo, etc, etc... Ainda tenho que contar sobre o outro museu que visitei hoje e sobre uma ida frustrada a um jardim botânico que já tinha fechado, mas fica para um outro dia.

Fato interessante que descobri no museu: Jack Kerouak escreveu um livro em Orlando – The Dharma Bums. Que os mesmos ares que inspiraram Kerouak também me inspirem para que eu faça alguma coisa de útil por aqui. Hoje foi um dia particularmente ruim no trabalho e em tudo mais, mas tenho planos para que os próximos sejam melhores.